Paraná tem menor número de homicídios dolosos em 13 anos

Foram 175 mortes a menos de janeiro a dezembro do ano passado, quando houve 1.780 homicídios, em comparação com o mesmo período do ano anterior (1.955 casos). Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (30) pelo Centro de Análise, Planejamento e Estatística da secretaria.

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O Paraná registrou em 2019 o menor número de homicídios dolosos dos últimos 13 anos, a partir do início da publicação do Relatório Estatístico Criminal pela Secretaria de Estado da Segurança Pública. Foram 175 mortes a menos de janeiro a dezembro do ano passado, quando houve 1.780 homicídios, em comparação com o mesmo período do ano anterior (1.955 casos) – uma redução de 9%. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (30) pelo Centro de Análise, Planejamento e Estatística da secretaria.

No primeiro ano de divulgação das estatísticas de homicídios dolosos no site da pasta, em 2007, foram registradas 2.647 mortes, 32,7% a mais que neste último ano. Durante todo o período contabilizado, o maior número de registros ocorreu em 2010, com 3.276 mortes (45,6% a mais que em 2019).

O secretário da Segurança Pública, Romulo Marinho Soares, atribui a queda a diversas atividades desenvolvidas pelo Governo do Estado. “Este foi nosso primeiro ano comandando a Segurança Pública e conseguimos alcançar uma boa redução nos índices de homicídios dolosos. Esperamos manter o controle da criminalidade por meio de ações baseadas na estratégia e na inteligência”, diz.

Dos 399 municípios paranaenses, 143 (35,8%) não registraram nenhum homicídio em 2019, e aproximadamente metade, 195 (48,8%), tiveram menos de cinco mortes durante todo o ano. Marinho também credita a redução à união de esforços. “Tudo isso é consequência de um bom planejamento e muita integração das forças policiais, que se reúnem semanalmente para debater ações de combate à criminalidade”, afirma.

“O número é extremamente positivo, significa que temos uma polícia presente, que tem planejamento e emprego inteligente dos seus recursos, tanto humano como material, e a capacidade de estudar o crime e desenvolver estratégias para reduzi-lo ou anulá-lo”, disse o comandante-geral da Polícia Militar, Péricles de Matos. “Na segurança todos estão trabalhando em sinergia e a polícia na rua, nos locais onde ela deve operar, colabora para os resultados”, avalia.

De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Silvio Jacob Rockembach, a instituição tem investido na formação de seus policiais, em técnicas de inteligência e investigação. Ele acrescenta que a capacidade de relacionar informações sobre o tráfico de drogas e a atuação de organizações criminosas traz melhores índices na solução de homicídios que em grande parte estão relacionados a esses fatores.

“Isso tem aprimorado consideravelmente a qualidade das investigações e das provas, resultando em inquéritos policiais muito bem fundamentados, criminosos presos e condenados ficam fora das ruas mais tempo. Além disso, outros evitam cometer homicídios, pois sabem que serão descobertos e presos. Assim, a redução no número de homicídios ocorre proporcionalmente”, explica Rockembach.

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Veja as regiões que registraram as maiores quedas

Dezesseis, das 23 Áreas Integradas de Segurança Pública (AISP) – forma como o Estado é dividido para análise estatística – registraram queda nos homicídios dolosos e menos de 100 crimes deste tipo de crime no ano passado. Apenas duas tiveram número de mortes superior a esse índice: Curitiba e a Região Metropolitana.

“Apesar disso, em Curitiba e na Região Metropolitana conseguimos reduzir as estatísticas, combatendo a criminalidade com patrulhamento preventivo e ostensivo, além de intensa dedicação nas investigações e elucidações de casos”, destaca o secretário coronel Marinho.

Em números absolutos, a 1ª AISP, referente ao município de Curitiba, foi a que mais reduziu o número homicídios dolosos no Paraná. Foram 48 a menos em 2019, se comparado com o ano anterior. A queda foi de 16,3%.

A 2ª AISP, correspondente à Região Metropolitana da Capital, também teve redução nos homicídios. Foram 46 mortes a menos (-11%) para os 22 municípios. Se destacam os municípios de Agudos do Sul (-85%), Campina Grande do Sul (-61%), Colombo (-23%) e Rio Branco do Sul (-75%). Em São José dos Pinhais, que recebeu em agosto do ano passado o projeto-piloto Em Frente Brasil, do Ministério da Justiça, foram 10 mortes a menos (-14,4%).

DESTAQUES – A 5ª AISP, com sede em São Mateus do Sul, que compreende nove municípios, teve a maior diminuição percentual no Estado: 62,8%. Houve 22 homicídios a menos no ano passado (35 em 2018 e 13 em 2019). Entre os nove municípios, o que mais se destacou foi a Lapa, com queda de 93,3%. Passou de 15 homicídios dolosos em 2018 para apenas um em 2019.

A 21ª AISP, de Cornélio Procópio, com 20 municípios, registrou a segunda maior redução: 48,3%, com 17 homicídios a menos. Somente o município de Cornélio Procópio teve 71% de queda (sete mortes em 2018 para duas mortes em 2019).

Na 12ª AISP, de Foz do Iguaçu, que inclui a sete municípios, a diminuição foi de 18% (110 mortes em 2018 e 90 casos em 2019). Somente na cidade de Foz do Iguaçu a incidência caiu 20,4%: ocorreram 88 mortes em 2018 e 70 em 2019. Também na região Oeste do Estado, Cascavel teve redução de 34%, com 18 mortes a menos (em 2018 foram 53 e em 2019, 35).

Em Maringá a queda foi de 22,5%. Foram sete mortes a menos de janeiro a dezembro de 2019 em comparação com janeiro a dezembro de 2018. A 17ª AISP, de Maringá, com 25 municípios, apontou redução de 10%, com nove mortes a menos no período.

“Para nós é uma vitória alcançar boas reduções estatísticas, principalmente no Interior do Estado. Mas não podemos nos esquecer que, mais importante que os dados, é a sensação de segurança e a prevenção, e isso nos faz continuar trabalhando cada vez mais, para fornecer segurança a todos os paranaenses”, afirma o secretário da Segurança Pública.